A universidade e a escola, ao menos do modo como essas duas instituições são e sempre foram estruturadas, não são espaços realmente democráticos. Não são ambientes nos quais o autoritarismo hierárquico não exista.
A academia e a escola não são utopias socialistas. A relação professor-aluno não é uma relação igualitária.
Por isso, porque não chamá-los por aquilo que eles de fato são: “senhores”? Sobretudo se estamos numa sala de aula?
Eles não são, ao menos segundo a acepção corrente do termo, possuidores, donos, proprietários de algo? No caso, de poder decisório sobre questões determinantes da vida acadêmica ou escolar de dezenas, às vezes centenas, de indivíduos (os “alunos”)?
Nessa perspectiva, chamar um professor de “tu” ou “você” é uma mistificação ideológica. Uma mistificação ideológica porque induz à pensarmos numa relação de equidade que, em última análise, nunca existiu, não existe e nem nunca existirá - ao menos conforme os tradicionais parâmetros de poder hegemonicamente estabelecidos, tanto nas escolas, quanto nas universidades.
É por isso que não abro mão do pronome.
Não é por arcaísmo. É porque ele não escamoteia.
(Texto de Luiz Alberto de Souza)